segunda-feira, 7 de março de 2016

O SUICÍDIO



Moro em um prédio de 10 andares e como qualquer outro dia fui trabalhar. No fim do meu turno fui comunicado pelo meu chefe que a empresa estava em crise e cortando gastos, por isso eu estava sendo demitido.

Uma semana depois, usei todo o dinheiro que havia recebido por ser demitido e quitei a divida referente ao meu apartamento. Depois disso nada mais deu certo na minha vida! Não conseguia arrumar emprego, e começaram as muitas e muitas brigas com minha esposa. Estava faltando tudo dentro de minha casa, desde fraldas até alimentos para meu filho. Minha mulher foi se desesperando e eu tomei uma decisão ruim: iria começar a roubar!


Esperei o cair da noite, peguei uma faca e sai para começar essa nova rotina. Numa rua deserta avistei uma mulher de meia idade ao longe, andando em minha direção e vi nela minha primeira vitima. Chegando mais perto respirei fundo, saquei a faca e fui ao encontro com a mulher:

- Anda mulher! Me da a bolsa ou eu te furo aqui mesmo. Anda! Anda!

A mulher me deu a bolsa e ficou paralisada. Antes de sair dali olhei nos olhos dela e vi o medo, o pavor e o pânico nos olhos dela. Naquele momento comecei a chorar e devolvi a bolsa a ela e contei minha história. Desculpei-me novamente e virei as costas. Nesse momento ela me chamou e ainda trêmula me deu uma nota de 20 reais. Saí dali chorando mais ainda.

Fui andando extremamente abalado e joguei a faca num bueiro ali perto. No dia seguinte, acordei decidido a acabar com aquilo tudo, escrevi um bilhete com os seguintes dizeres:

“Desculpe-me, mas foi tudo que consegui. Cuide bem do nosso filho." Coloquei o bilhete em cima da cama junto com o dinheiro que aquela mulher havia me dado e fui até o telhado do prédio. Então sentei na beirada preparado para pular.

Momentos depois, ouvi passos atrás de mim, me virei e havia um homem alto, bem arrumado, cabelos curtos, olhos castanhos e pele branca. Ele sentou-se ao meu lado e começamos a conversar. Depois de um tempo ele disse:

- Pense como vai ficar seu filho e sua esposa... Se você pular, quem vai cuidar deles? O estranho levantou-se e disse ter que ir, mas antes me entregou um pedaço de papel com um endereço e disse que se eu quisesse conversar mais que poderia ir até a residência dele.

Depois de muito pensar no que havia acabado de ouvir, desci do telhado, tomei um banho e encontrei minha esposa acordada. Não disse nada a ela, mas dei-lhe um beijo, um abraço e fui em busca de um emprego. Apesar de pessimista, para minha sorte, encontrei um senhor disposto a me dar uma chance. Ele disse estar abrindo um negócio e precisava de alguém para ser ajudante. Eu aceitei na hora.

Quinze dias depois, fui ao velho homem que havia me estendido as mãos pedir um adiantamento para comprar fraldas e alimentos. Para meu espanto e surpresa ele me deu um pouco a mais do que havia pedido e disse que descontaria aos poucos do meu pagamento. Algum tempo depois meu chefe, que vivia elogiando meu trabalho no estoque da loja, me promoveu e passei para a gerenciar uma filial num município vizinho. Logo tudo estava indo bem na minha vida.

Em um feriado, pensando na conversa com Alessandro, peguei o pequeno papel e contei a minha esposa toda a história sobre o estanho que impedirá meu suicídio. Disse a ela também que estava indo visitá-lo. Chegando ao endereço indicado no papel, fui até o portão e comecei a chamar por Alessandro. Para minha surpresa, quem veio me atender foi meu chefe.

Notei que ele estava desconfiado! Fui logo cumprimentá-lo e voltei a perguntar por Alessandro. Pela primeira vez, desde que o conheci, respondeu-me com muita rispidez:

- Alessandro? De onde você o conhece meu filho? Quem te deu meu endereço?

Mostrei-lhe o papel e contei toda a história do meu encontro com Alessandro e como ele me impediu de pular do 10º andar de um prédio. Meu chefe ao ver o papel e reconhecer a letra do filho, me disse em lágrimas:

- Alessandro morreu há 10 atrás, quando pulou exatamente do 10º andar de um prédio.

Por Estevam Camargo


#BaseadosEmFatosReais


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